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PREMISSAS E VALORES 
"É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança."

Provérbio africano

Se a experiência estética é uma forma de validação da existência individual e subjetiva, ela é também a promessa e a expressão de uma comunidade: da possibilidade de viver e de partilhar essa existência com os demais; e da formação comunitária da nossa experiência, influenciados por outros e influenciando outros. A vivência cultural participada constitui comunidades, que se tornarão cada vez mais integradoras, na medida em que, se a transmissão e o acesso às manifestações artísticas e aos patrimónios culturais forem democratizados, estes permitirão que nasça um sentimento de pertença e incentivarão a participação dos cidadãos, ouvindo-os e valorizando os seus conhecimentos, práticas e tradições. Assim, todos poderão contribuir para a cultura das suas comunidades.

CONFERÊNCIA 
“YOUTH-ACTION-CULTURE: Rumo à Democracia Cultural”

A Conferência “YOUTH-ACTION-CULTURE: Rumo à Democracia Cultural” teve lugar nas Caldas da Rainha, no Centro Cultural e de Congressos, nos dias 13 e 14 de novembro, e foi um espaço de convergência intergeracional, organizada e pensada com os jovens, e não para os jovens, onde equitativamente, a par dos peritos, ocuparam o palco para juntos refletirem e tomarem decisões. Partindo de 3 questões: Qual é o meu lugar nas artes e na cultura? – interrogações dos jovens sobre o impacto da cultura e das artes na consolidação da democracia; O que podem as artes na educação para a democracia? – interrogações dos jovens sobre o impacto das artes e da educação na construção da cidadania e no exercício da liberdade; Ouvir os jovens: o que propõem e como o podemos fazer juntos?, da Conferência resultará a publicação, em 2024, de uma adenda jovem à Carta do Porto Santo. Pretende-se dar ênfase à perspetiva e às recomendações dos jovens sobre o acesso, a criação e a participação na cultura, rumo à democracia cultural, reforçando o contributo estruturante da educação cultural e artística (formal e não formal) no empoderamento desta geração, hoje e no futuro próximo.
Entre os intervenientes nacionais, estiveram o Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, e o Ministro da Educação, João Costa, bem como organismos internacionais: a UNESCO, que mostrou o Futuro Quadro da UNESCO para a Cultura e a Educação Artística e a Comissão Europeia, que apresentou as conclusões do relatório Cultura e Democracia: Como a participação cultural dos cidadãos em atividades culturais reforça o empenho cívico, a democracia e a coesão social. Foram apresentados vários projetos europeus no âmbito do artivismo, política, cidadania e direitos culturais e sobre o papel da educação na promoção da cidadania cultural. Dos oradores, destacam-se Carlos Bunga, artista que atualmente participa na 35.ª Bienal de São Paulo, e Catherine Ritman-Smith, Coordenadora de Educação e Envolvimento dos Young V&A / V&A East, dois museus inovadores em Londres.
A Conferência foi pontuada por intervenções artísticas, que, juntamente com a cenografia de palco e o programa cultural e artístico (incluindo uma festa na noite do dia 13), foram realizados por estudantes da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha.
Na audiência estiveram cerca de 700 pessoas, entre elas mais de 120 jovens europeus, estudantes universitários, para assistir e participar no evento, no âmbito de uma parceria com a Regional University Network – European University.
 
Reveja a conferência no canal Youtube da DGEstE.

Ação 
Ouvir os jovens

O processo participativo preliminar à Conferência “YOUTH-ACTION-CULTURE: Rumo à Democracia Cultural” foi dirigido aos jovens da União Europeia (com idades compreendidas entre os 16 e os 25 anos). Nesta fase prévia, foram realizadas dez sessões com participantes de Portugal, da Eslovénia, da Polónia e da Ucrânia. As sessões reuniram jovens que habitam em zonas rurais, zonas urbanas, suburbanas e ainda periferias urbanas, marcadas pela imigração e pela segregação social. As sessões foram realizadas em formato workshop, seguindo uma metodologia de escuta criativa e ativa, em que foram abordados temas relacionados com a noção de cultura, cidadania, participação na vida cultural e artística e com o papel da educação na facilitação do acesso e na promoção da consciência sobre direitos culturais. Com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, foi elaborado um breve documentário, que regista o processo e que foi projetado na Conferência.
O processo de escuta participativa é fundamental para que a voz dos jovens sobre a democracia cultural chegue à Comissão Europeia e influencie a tomada de decisão sobre políticas públicas no âmbito da cultura, da educação e da juventude.

CONFERÊNCIA 
Compromisso de Impacto Social das Organizações Sociais

O Compromisso de Impacto Social das Organizações Culturais (CISOC) é uma medida de política pública do Plano Nacional das Artes, que tem como principal objetivo apoiar a autoavaliação do impacto social nas organizações culturais, muitas vezes carentes de instrumentos de gestão que apoiem o desenho de estratégias baseadas em dados e indicadores.
A Conferência “Impacto social: as pessoas no centro das organizações culturais” é organizada pelo Plano Nacional das Artes e pelo Observatório Português das Atividades Culturais (OPAC-CIES-Iscte), em parceria com a Direção-Geral do Património Cultural, o ICOM Portugal, o Museu de Lisboa, a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares e o Centro de Formação de Associação de Escolas da A23. Terá lugar no dia 6 de dezembro, no grande auditório do Iscte, em Lisboa. Dirige-se sobretudo aos decisores políticos, dirigentes e técnicos do setor cultural, de instituições patrimoniais e de criação e produção artísticas.
A Conferência visa apresentar e discutir criticamente o CISOC - um novo instrumento de apoio ao planeamento e à autoavaliação das organizações culturais, concebido, debatido e testado ao longo de 2022 e 2023 - através de intervenções e conversas com detentores de cargos de direção, gestores, investigadores, consultores, mediadores, entre outros, das mais variadas organizações culturais. Na ocasião será lançada a publicação Compromisso de Impacto Social das Organizações Culturais. Fundamentos, Metodologia e Instrumentos de Apoio, e ainda um sítio Web.
O Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, e o Ministro da Educação, João Costa, participarão no evento através de uma mensagem de vídeo. No período da manhã, a conferência inaugural estará a cargo de Alessandro Bollo, Gestor Cultural, Investigador e Presidente da Officina della Scrittura, em Turim, a que se seguirá a apresentação do CISOC, sob o olhar crítico de Catarina Vaz Pinto, Maria de Assis Swinnerton e Manuel Gama, e o debate com a audiência. A sessão da tarde abrirá com a conferência de Sonia Blasco, Diretora do Serviço de Museus e Proteção de Bens Móveis da Generalitat da Catalunha, seguida de duas mesas de conversas, uma sobre estudos e perspetivas e outra sobre práticas e expetativas. No final da conferência, Karen Maguire, Chefe de Divisão do Programa de Emprego Local e Desenvolvimento Económico da OCDE, apresentará a publicação Cultura e Desenvolvimento Local: Maximizar o Impacto. Administração Local, Comunidades e Museus (OCDE/ICOM).
 
A Conferência tem um formato híbrido, presencial e digital com transmissão à distância, no canal Youtube da DGEstE.

ARTISTA RESIDENTE 
“Pontos de Encontro – Entre Linhas, Mãos e Nós”

A elaboração do Projeto Cultural de Escola (PCE) do Agrupamento de Escolas de Castelo de Vide obedeceu a uma lógica de currículo local, valorizando os contextos comunitários, potenciando-os como recursos educativos de inovação pedagógica e privilegiando metodologias assentes em práticas de criação, fruição e de trabalho de projeto. Esta estratégia facilitou as aprendizagens significativas e o desenvolvimento de competências de participação, sentido crítico, criatividade, autoconfiança e autonomia, motivação e relacionamento interpessoal.
Uma das medidas preconizadas no PCE, no âmbito do programa “Indisciplinar a Escola” do PNA foi, desde o início, a intenção de acolher uma Artista Residente (AR), com o objetivo de consolidar colaborações, já experimentadas em momentos anteriores, e sistematizar o contacto e relação dos alunos com artistas consagrados, proporcionando a experimentação e as práticas artísticas motivadoras e impulsionadoras da criatividade, das aprendizagens e do sucesso educativo.
Assim, durante o ano letivo 22.23, o Agrupamento recebeu a residência artística “Pontos de Encontro – Entre Linhas, Mãos e Nós”, financiada pela DRCAlentejo, da artista plástica Barbara Walraven, que envolveu os alunos dos anos iniciais de cada ciclo do Ensino Básico – 1.º, 5.º e 7.º anos de escolaridade – durante um período de cinco meses, em que foi concebido e realizado, com momentos de envolvimento da comunidade educativa e dos pais e encarregados de educação, um painel têxtil alusivo a Garcia de Orta, patrono do Agrupamento.

EXPOSIÇÃO 
Gil Vicente no Museu Nacional do Teatro e da Dança

O Museu Nacional do Teatro e da Dança apresenta, de 27 de outubro de 2023 a 28 de abril de 2024, a exposição Gil Vicente, Portugal e Espanha nos Primórdios do Teatro Europeu. Esta exposição internacional é apresentada em Espanha e em Portugal, com enfoque na presença da obra de Gil Vicente na Península Ibérica. A exposição conta com mais de 400 peças provenientes de instituições e companhias de teatro portuguesas e espanholas.
Para além da visita à exposição, desafiam-se as escolas a participarem ativamente, através da elaboração de trabalhos a partir da obra e do imaginário do dramaturgo. Pretende-se trazer Gil Vicente para o espaço contemporâneo, através dos olhares e perspetivas das crianças e dos jovens. Os trabalhos poderão ser dinamizados numa grande variedade temática, abordando questões como a cidadania ou a multiculturalidade, bem como ser apresentados através do teatro, da dança, da música, das expressões plásticas ou audiovisuais. De acordo com as suas características, estes trabalhos poderão ser expostos na galeria de exposições temporárias ou apresentados no auditório do museu.
 

COLABORAÇÃO 
AMOSTRA da Companhia Caótica

AMOSTRA é um festival itinerante de Artes Performativas para o Público Jovem. Procura traçar um retrato do ecossistema cultural destinado aos mais novos e nasce do desejo de dar palco àqueles que se ocupam da criação para crianças e jovens, para que possa ser possível, coletivamente, imaginar novos caminhos para o setor e ainda reivindicar o seu reconhecimento e valorização.
Esta segunda edição da AMOSTRA aconteceu entre 6 e 8 de outubro, numa colaboração da Caótica com o Cineteatro Louletano, em Loulé, onde se juntaram artistas, público, programadores e outros agentes culturais, para viverem um ambiente de fruição e de convívio através de espetáculos abertos, conversas e sessões de pitching. Previamente, ocorreu – entre maio e julho – uma série de encontros das Conversas Emergentes, realizada em parceria com o Plano Nacional das Artes, no âmbito da Bienal Cultura e Educação #1 retrovisor: uma história do futuro.

ACADEMIA 
Nesta espécie de espaço, uma ACD PNA

O espaço é, todo ele, território educativo, por isso, a reflexão em torno de conceitos, como espaço de aprendizagem, colaboração, programação e programação em colaboração, afigura-se como determinante para a conceção, planeamento e execução dos Projetos Culturais de Escola (PCE), cujo efeito transformador se reflete na comunidade educativa. Mas, sabemos nós tirar partido do território enquanto espaço de aprendizagem? Aprender com/em diferentes tipos de espaços, através de processos artísticos, obras de arte e diferentes formas de exploração de diferentes patrimónios, envolvendo todos os sentidos na experimentação física do espaço, facilita uma gestão curricular contextualizada e propiciadora do desenvolvimento de competências. O espaço humanizado, edificado ou natural é um espaço organizado com enorme potencial para uma exploração transdisciplinar, potenciando também uma cidadania cultural inclusiva onde a ludicidade e o erro são motores de aprendizagem e caminhos para o bem-estar.

ENTREVISTA 
Diretor Paulo Gomes

“A visão que eu tenho da escola de hoje é uma visão de comunidade. Não faz qualquer sentido a comunidade não estar cá dentro. E estar cá dentro inclui participar nas decisões, nas festas, nas aulas, nas oficinas de família, ou seja, inclui fazer parte de todo o processo e não só do fim do processo, no papel de espectador. Este foi o ponto de partida do nosso Projeto Cultural de Escola.”
 
Paulo Gomes chegou em 1998 ao Agrupamento de Escolas a Sudoeste de Odivelas (AESO), de que é Diretor, há pouco mais de dois anos, trazendo para o cargo a experiência e o conhecimento como Presidente do Conselho Geral. Recorda uma discussão animada que organizou no Agrupamento, entre o ex-Presidente da República, Mário Soares, e D. Duarte de Bragança. Fez da adesão ao Plano Nacional das Artes uma revolução, herança genética que recebeu do seu nascimento em Grândola, em 1965, e da infância e juventude passadas na zona mais interior de Santiago do Cacém. Cresceu entre a planície e o mar, num Portugal isolado e ruralizado, a par de um país que preparava secretamente o sonho da liberdade à sombra de azinheiras. A sua história fê-lo professor de História, com trabalhos de investigação realizados nas áreas social e económica. É ainda membro da direção da Associação de Professores de História.

Leia na íntegra a entrevista.

Registos de atividades desenvolvidas no âmbito Indisciplinar a Escola.
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