A Academia PNA difunde o poder criativo e indisciplinador das manifestações artísticas e patrimoniais na escola e na ação educativa, tornando-a mais transdisciplinar e inclusiva.

Assume-se como um projeto dinâmico, em constante evolução, adaptando-se e transformando-se, para todos e com cada um, em função das necessidades apresentadas pelo público alvo e pelos desafios e incertezas que nos rodeiam. Saber gerir a incerteza faz parte da vida, não ter medo de errar e estimular a criatividade exigem experiências significativas que potenciem a curiosidade e a capacidade de questionar.   

A bolsa de ações de formação e formadores (investigadores, artistas, especialistas) – Portefólio Academia PNA – articula a pedagogia das artes e patrimónios, com a política educativa e as tendências da sociedade, estimulando uma capacitação de agentes educativos e culturais, com foco nas crianças e jovens, no seu papel interveniente e participativo, no exercício da cidadania. A relação permanente com as artes e as culturas, permite entender a complexidade do mundo, aceitando a diversidade e recusando o receio pela diferença.

Tendo como público alvo professores, técnicos de educação e cultura, mediadores e criadores culturais, fomenta-se a articulação/colaboração entre agentes educativos diversificados, garantindo uma capacitação agregadora, capaz de ajudar os docentes a ultrapassar “os muros e as paredes” das escolas e a promover aprendizagens e desenvolvimento de competências, em todo o território educativo da comunidade local onde estão inseridos, ou noutros espaços mais alargados, responsabilizando cada um pela cultura de todos.

Hoje, estamos conscientes que o bem-estar é condição essencial para um ambiente educativo propiciador de aprendizagens efetivas. A formação deve constituir-se como um factor de bem-estar dos docentes. Este é um dos grandes objetivos da Academia: proporcionar formação que seja uma resposta aos desafios que os docentes sentem no dia-a-dia e não um espaço de transmissão de modelos teóricos desajustados da realidade.

As Ações de Formação são disseminadas por todos os Centros de Formação de Associação de Escolas (CFAE), mobilizando, ainda, outros parceiros que contribuem para a viabilização financeira do Portefólio da Academia  PNA e para a sua ação transformadora.

No ano letivo 2021/2022 foram envolvidos 3748 formandos em 702 horas de formação, distribuídos por 17 cursos/oficinas e 27 ações de curta duração com a colaboração de 48 formadores e 27 Centros de formação de associações de escolas.

Impacto – benefícios esperados

  • Capacitar
    • Professores, mediadores e coordenadores do PCE para a pedagogia das artes e do património e para o uso dos instrumentos propostos pelo Plano;
  • Apoiar
    • Docentes na integração de saberes das várias áreas curriculares e desenvolvimento de projetos inter/transdisciplinares, destacando-se ainda o apoio à Estratégia Nacional para a Cidadania através das artes;
  • Promover/facilitar
    • Transversalidade de linguagens e conteúdos e a diversidade de formas de ensinar e de aprender;
  • Enriquecer
    • Referentes culturais de professores, mediadores e alunos

Evolução Global Cursos/Oficinas e ACD's


Verifica-se uma redução em todos os indicadores, com exceção do nº de formandos, que aumentou, Tal facto, resulta de medidas tomadas a nível nacional no âmbito do Plano de Ação para a Transição Digital, enquadrado pela Resolução Nº 30 de 2020.

Verificou-se uma forte aposta na capacitação digital de docentes, no ano letivo de 2021/2022, com o objetivo de: alicerçar a integração transversal das tecnologias de informação e comunicação (TIC) e de outras ferramentas digitais nas práticas profissionais e pedagógicas dos docentes, nas suas rotinas e procedimentos diários, na vida dos alunos, nas suas práticas de aprendizagem e no exercício de cidadania. Tendo como público alvo 100% dos docentes das escolas públicas de Portugal Continental, este planeamento não permitiu que os planos de formação dos 91 CFAE, diversificassem a sua oferta formativa, no âmbito do financiamento do POCH.

Este contexto, foi desfavorável à operacionalização das ações de formação do Portefólio da Academia PNA, por 2 motivos: a falta de financiamento e a disponibilidade dos docentes, cujo tempo para formação foi ocupado pelo referido plano.

Os cursos e oficinas realizaram-se, com financiamento, dos orçamentos privativos dos CFAE, organizações culturais, municípios, CIM’s e outros parceiros.

Conseguiu-se chegar a uma maior público alvo, lançando a “inquietação” e o questionamento, face às mudanças necessárias, para promover a transformação de práticas pedagógicas na Escola, em estreita relação com as instituições culturais de cada território, contribuindo para territorialização das políticas educativa/cultural, fomentando o trabalho colaborativo e a programação em colaboração, na perspetiva das escolas enquanto polos culturais e a comunidade enquanto território educativo.

Esta foi a estratégia encontrada para não parar a ação da Academia, por falta de financiamento dos CFAE, dando, também, continuidade à diversificação de parcerias facilitadoras da partilha de recursos e multiplicação de experiências.

Testemunhos

Todos estes materiais foram de fácil construção e a maior parte deles são de grande utilidade para a disciplina de matemática, não só para a lecionação de alguns conteúdos como para mostrar a ligação da matemática a outras áreas do conhecimento.

O percurso realizado no decorrer desta formação foi uma aventura que exigiu algum esforço da minha parte, mas foi muito estimulante (…).

Esta formação despertou em mim o gosto pela arte relacionada com a matemática e motivou-me a elaborar diversos materiais e até a explorar mais recursos, pois fiquei fascinada pela sua utilidade e diversidade.

Todas as aprendizagens se revelaram bastante interessantes e úteis para o processo de ensino e aprendizagem, uma vez que podem ser utilizadas de formas distintas consoante os objetivos pretendidos.

Será muito interessante trabalhar com os alunos algumas das temáticas abordadas (…) e mostrar que por detrás de uma obra de arte está também muito conhecimento científico.

Formanda Identificada

“Destaco, entre outros, os seguintes aspetos de enriquecimento pessoal e / ou profissional da ação de formação:

− a afirmação das artistas pela força da qualidade das suas propostas, algumas desconhecidas do meu foco de estudo e análise;

− a partilha de experiências / saberes dos intervenientes desta ação, sendo eles de vários grupos disciplinares, o que a torna mais enriquecedora.

− meditar sobre a criação feminina nas artes portuguesas valorizando a sua presença nas artes plásticas.

Cada vez mais temos que derrubar barreiras para criar uma sociedade mais plena e plural. Não se trata de fazer um favor às mulheres, mas sim reconhecer o seu imenso talento.”

Formando Identificado

“Destaco 3 aspetos para o enriquecimento pessoal e profissional: 1 – Enquanto pessoa, percebi que ainda há questões humanas e sociais que merecem ser “Observadas” e que precisam, cada vez mais, do contributo de todos, para que possam ser debeladas. É necessária mais Cidadania! A escola e a Arte podem ser bons veículos para fazer mais e melhor! 2 – É, sempre, muito enriquecedora a partilha de opiniões e de diferentes pontos de vista sobre uma mesma coisa/assunto. A Arte permite-nos isso: um olhar próprio, um sentir próprio, uma compreensão própria. 3 – Entender o trabalho colaborativo como um “Somatório” em vez de uma competição”. Formanda identificada

– …a ação de formação abriu-me novas possibilidades de trabalhar estas questões com as escolas que acompanho, facilitando a sugestão de metodologias de recurso à obra de arte para o desenvolvimento de temáticas e abordagem de conteúdos constantes dos documentos que orientam o atual sistema educativo português. Por outro lado, sendo as temáticas de cidadania só por si transversais, muitas vezes verifico uma aparente facilidade dos professores na sua abordagem, mas, nem sempre, de forma aliciante para os alunos ou consequente em termos educativos. Considero que a ação de formação indicou metodologias que facilitam e enriquecem a exploração das temáticas e os processos de trabalho, mostrando mesmo que a articulação inter e transdisciplinar é possível e facilita a construção de um conhecimento integrado e globalizante. Para além do desafio final ter sido proveitoso e um bom corolário para a formação, considero que a atividade de seleção de 3 obras com curadoria justificativa é muito interessante e fá-la-ei com os meus alunos Formanda identificada

O CFAE A23 é integrado por doze unidades orgânicas com especificidades e características que as tornam únicas entre si. Enquanto CFAE desde sempre tivemos a clara perceção de que as Artes, nas suas múltiplas manifestações, potenciavam a natural expressão dessa diversidade, facilitando o envolvimento da comunidade escolar com os diferentes agentes culturais existentes no seu território. A criação do Plano Nacional das Artes e, posteriormente, da sua Academia, veio permitir sistematizar e viabilizar o acesso a novas dinâmicas, aproximando artistas de reconhecido mérito das comunidades em que se vieram a inserir. A vertente formativa assumiu aqui um papel inquestionável, tornando-se um agente que permitiu viabilizar o acesso a novas e distintas formas de manifestação artística, até então difíceis de alcançar. Ao CFAE A23 coube o simples papel de agente facilitador desta disseminação formativa. Tem sido, para todos nós, uma notável experiência enriquecedora. Bem hajam.

Diretor do CFAE A23

João Faria